sábado, 25 de junho de 2011

CINE ARTES UERJ // “Pixo” de João Wainer e Roberto T. Oliveira // 30 de Junho de 2011

Quinta, 30 de junho · 18:30 - 21:30




UERJ, Auditório do Instituto de Artes no 11o andar: R. São Franscisco Xavier , 524, Maracanã

Depois do Épico Sucesso de “Luz, Câmera, Pichação!” de Gustavo Coelho, a UERJ apresenta o Filme “Pixo” de João Wainer (@joaowainersite) e Roberto T. Oliveira.

Evento totalmente gratuito!!
Assista o Trailer!!

“A Pichação Como Denúncia da Exclusão na Cidade de São Paulo.”

Mesa de Debate com:
*Djan Cripta (flickr / youtube)
Pichador, Filmmaker e um dos Responsáveis pelo Ataque à 28ª Bienal de São Paulo.
* Gustavo Coelho
Mestre em Educação e Diretor do Filme “Luz, Câmera, Pichação”.
* Nuno DV (@nunodvblog)
Ex Pichador, Rapper e Responsável pelo Blog “Páginas de Tintas”.
* Mediação:
Panmela Castro (@Anarkiaboladona / site)
Grafiteira e Ativista Política

segunda-feira, 28 de março de 2011

5XFavela no Cine Artes Uerj


O cineclube Cine Artes Uerj convida para as sessões, 5XFavela.
5XFavela (1961)
Dia 07 de abril de 2011 – às 18hs
5XFavela: agora por nós mesmos (2010)
Dia 14 de abril de 2011 – às 18hs (seguido de bate-papo com os diretores dos episódios). Mediação: Professora Denise Espírito Santo.
Transmissão simultânea: www.angutv.com.br
ENTRADA FRANCA
Local: Uerj (campus maracanã).
Auditório do Instituto de Artes – 11º andar – Bloco E

O projeto retoma a idéia do cineasta Leon Hirszman (1938-1987), a quem o filme é dedicado. No verão de 1961 para 1962, cinco jovens universitários de classe média –dentre eles o próprio Leon e Carlos Diegues –subiram os morros cariocas para realizar um longa-metragem em episódios, produzido pela União Nacional dos Estudantes (UNE).
"Desde 1993, quando tivemos o primeiro contato com organizações culturais nascidas nessas comunidades, temos acompanhado o progresso dos jovens cineastas moradores de favelas, produzindo curtas com mini-DVs, pequenas câmeras digitais domésticas, editados em programas acessíveis na grande rede. Esses filmes são vistos entre eles mesmos, circulando de um núcleo comunitário a outro, raramente vencendo a barreira do gueto.” Carlos Diegues
FICHA TÉCNICA:
PRODUTORES: Carlos Diegues e Renata de Almeida Magalhães
COMPANHIA PRODUTORA: Luz Mágica
CO PRODUÇÃO: Globo Filmes
PRODUTORES ASSOCIADOS: Videofilmes, Quanta, TeleImage
DIRETORES: Manaíra Carneiro, Wagner Novais, Rodrigo Felha, Cacau Amaral, Luciano Vidigal, Cadu Barcellos e Luciana Bezerra.
COORDENAÇÃO DE ROTEIROS: Rafael Dragaud
PRODUÇÃO EXECUTIVA: Tereza Gonzalez
FOTOGRAFIA: Alexandre Ramos
MONTAGEM: Quito Ribeiro
DIREÇÃO DE ARTE: Pedro Paulo de Souza e Rafael Cabeça
TEMA MUSICAL: MV Bill e AfroReggae

OS EPISÓDIOS
Fonte de Renda Direção: ManaíraCarneiro e Wagner Novais. Argumento: Vilson Almeida de Oliveira. Roteiro: Oficina Cidadela/Cinemaneiro (Linha Amarela). Elenco: Silvio Guindane, GregorioDuvivier, Hugo Carvana, DandaraGuerra.
Um jovem realiza o sonho de entrar para a faculdade de Direito, mas encontra dificuldades para dar conta dos gastos com livros e transporte. Ele se sente tentado a vender drogas para amigos da faculdade e, assim, conseguir o dinheiro para custear seus estudos.
Arroz com Feijão Direção: Rodrigo Felha e Cacau Amaral. Argumento: José Antonio da Silva. Roteiro: Oficina CUFA (Cidade de Deus ). Elenco: Juan Paiva, Pablo Vinicius, Flavio Bauraqui, Ruy Guerra.
Certo dia, o menino Wesley ouve uma confissão do seu pai: ele está cansado do cardápio da casa, sempre um prato de arroz com feijão. O menino se junta ao amigo Orelha e sai em busca de recursos para comprar um frango.
Concertopara Violino Direção: Luciano Vidigal. Argumento: Rodrigo Cardozo da Silva. Roteiro: Oficina AfroReggae (Parada de Lucas). Elenco: Thiago Martins, Cintia Rosa, Samuel de Assis, Feijão (Washington Rimas).
Ainda crianças, Márcia, Jota e Ademir fazem um juramento de amizade eterna. Agora adultos, Jota entrou para o tráfico de drogas e Ademir, para a polícia. O enfrentamento entre os dois pode impedir que Márcia, agora, realize seu sonho de ser violinista.
Deixa Voar Direção: Cadu Barcellos. Argumento: Cadu Barcellos. Roteiro: Oficina Observatório de Favelas (Complexo da Maré). Elenco: Vitor Carvalho, Joyce Lohanne, Luis Fernando, Luciano Vidigal, Marcelo Mello.
Flávio deixa a pipa de um amigo cair no lado da favela dominado por uma facção rival. Mesmo sabendo que vai pisar em terreno proibido, resolve buscar a pipa.
Acende a Luz Direção: Luciana Bezerra. Argumento: Luciana Bezerra. Roteiro: Oficina Nós do Morro (Vidigal ). Elenco: Márcio Vito, João Carlos Artigos, DilaGuerra, Roberta Rodrigues.
É véspera de Natal e o morro está sem luz há três dias. Os técnicos enviados pela companhia de luz não conseguem resolver o problema. Os moradores resolvem manter um funcionário até que a luz volte.

Não percam e sejam bem vindos!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Cildo, por Moacir dos Anjos

Direção: Gustavo Moura Produção: Matizar Filmes Brasil, 2009, 78 minutos

Diante da pouca documentação existente sobre arte contemporânea brasileira, o lançamento de Cildo, filme de Gustavo Moura sobre a obra de Cildo Meireles é algo a ser celebrado. O filme mescla depoimentos de Meireles com imagens de algumas de suas principais obras, vistas em preparação ou já prontas em exposições no Museu Vale, em Vila Velha (ES), na Tate Modern, em Londres (Reino Unido), e no Instituto Cultural Inhotim, em Brumadinho (MG) – onde instalações como Através, Glove trotter e Desvio para o vermelho são exibidas em caráter permanente. Embora obviamente não substituam o contato com os trabalhos, essas falas e registros visuais têm o poder de argumentar, mesmo para quem pouco ou nada conhece da trajetória do artista, as razões dele ser hoje considerado, por críticos e curadores de diversas gerações e procedências, um dos mais importantes artistas brasileiros em atividade. Não é seu caráter documental, contudo, que mais singulariza o filme, mas sim sua capacidade de adequar o seu ritmo ao curso e à lógica da obra de Meireles.

Ainda no início de Cildo, o artista compara sua idéia de arte à ação do malabarista, que precisa fazer três objetos (os malabares) caberem em um terrítorio adequado para apenas dois deles (as mãos). A única forma de conciliar esse descompasso, diz Meireles, é através do conceito de tempo, o qual permite que um dos malabares esteja sempre suspenso no ar, em rodízio constante entre duas mãos sempre ocupadas. E é a exploração crítica e contínua da relação entre espaço e tempo, simultaneamente em suas dimensões física e política, que orienta parte importante da trajetória do artista, tal como evidenciado em instalações como Babel e Marulho, destacadas no filme. Nelas Meireles assinala a inadequação da idéia usual de pertencimento para a compreensão da dinâmica do mundo contemporâneo e o conseqüente rompimento da associação imediata e exclusiva entre lugar, cultura e identidade. São trabalhos que tornam ainda clara – reverberando algo presente em vários outros –, a importância que o artista concede às relações sinestésicas entre os campos do olhar e da escuta para o desmanche de ideias rígidas de localização espaciotemporal.

Esses aspectos da obra de Meireles podem ser também formulados em termos da professada rejeição, frequentemente assinalada em sua trajetória, a modos de pensar o mundo (no campo do indíviduo ou das práticas coletivas) a partir de conceitos duais, cujos sinais opostos se excluam. O que seus trabalhos afirmam de fato, é justo o que não cabe em pólos extremos e que se situa no lugar impreciso do que sequer se sabe nomear ao certo. Tudo o que está aquém ou além do esperado, ou do que se quer como correto ou errado. O que sua obra talvez enuncie, portanto, é o papel da arte onde a fala falta e o discurso falha. A afirmação de uma arte que ignora consensos ou que deles escapa, que cria frestas em convenções e que reinventa o que já se pensava dado; ou que torna visível o que não se enxergava. Uma arte que embaralha distinções claras, que é lenta e inconclusa, e que traça caminhos sinuosos sem fim ou desígnios antecipados.
Uma arte contígua à vida.

Respeitando a centralidade desses conceitos na obra de Meireles, Cildo recusa o passo apressado e a edição fragmentada de tantos documentários sobre arte contemporânea, rendendo-se à temporalidade estendida e à consequente exploração no espaço que cada trabalho requer para capturar os sentidos do público. Mais do que representar a obra do artista, ele a testemunha, acatando a impossibilidade de traduzi-la, de modo pleno, em termos fílmicos. Entre o desejo de aproximação máxima ao objeto escolhido e o reconhecimento de que certa distância deve ser mantida, Cildo encontra um tom que emula a preferência pelo interstício que já está dada em muitos trabalhos de Meireles. Também tem destaque no filme, ainda que nunca explicitada verbalmente, a ética que rege a obra do artista, na qual o que vale e o que fica é mais o trabalho feito do que mesmo quem o cria. Não por acaso, na cena final de Cildo, em meio a montagem de uma exposição sua, Meireles recusa a cadeira deixada vazia para ele no enquadramento central da câmera, preferindo sentar-se em outra, distante dali.